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21/07/2006 10:52
Um nome
O que há em um nome? Esclareça-se, desde já, que não se trata da clássica pergunta da amantíssima Julieta a Romeu. Aqui não se trata, pois, da obra shakesperiana, conquanto também se trate de uma tragédia. Não da tragédia como arte teatral que consagrou o dramaturgo inglês, mas como significado de catástrofe, desgraça, infortúnio, enfim.
Não se vislumbre, então, como cenário do acontecimento funesto o romântico jardim dos Capuleto, mas a aridez de Brasília.
Para Julieta, plena de razão, ainda que a rosa não se chamasse rosa teria o mesmo perfume.
Insista-se, porém, na pergunta inicial: o que há em um nome?
No nome Maria da Penha, a ex-assessora do Ministério da Saúde acusada de participar da Máfia das Ambulâncias, há muito a considerar. Não o perfume inebriante da rosa, mas o cheiro nauseativo da ganância, da ambição desmedida, da corrupção que se esparrama pelos podres Poderes republicanos e assola a nação brasileira, diminuindo-a aos olhos do mundo dos homens de bem, ao deixar patente o desavergonhamento nacional.
Repita-se a questão inicial: o que há em um nome?
No de Maria da Penha, sobretudo lições. Os russos, por exemplo, ensinam que o poder, assim como os rochedos (penhas, portanto), só é acessível às águias e aos répteis. Aprende-se, pois, que, no Brasil, com tantos envolvidos em mais um escândalo, o das Sanguessugas, pode-se, a partir da própria designação da CPI, afirmar que os rochedos também são acessíveis aos vermes. Penha, ainda bem, é uma rocha elevada e, como ensinou Sêneca, onde há altura há precipícios
enviada por Marcelo Alcoforado
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