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14/07/2006 17:44
Brasil, meu Brasil brasileiro
Quando compôs Aquarela do Brasil, em 1939, certamente Ary Barroso não anteviu sua música viesse a retratar muito do Brasil de 2006.
Retrata.
Passados 67 anos, o país continua a ser inzoneiro, palavra que à luz dos dicionários significa mexeriqueiro, intrigante, manhoso, sonso, mentiroso. Então, levando-se em conta, principalmente, os dois últimos conceitos sonso e mentiroso , talvez, não seja o caso de cantar em versos, como fez o autor do consagrado samba-exaltação, mas de lamentar em prosa, numa espécie de (permita-se o neologismo) samba-decepção.
Ora, neste país que confisca quase 40% do PIB em impostos e com grande parte deles alimenta a voracidade de mensaleiros, vampiros e sanguessugas, os trabalhadores em atividade têm, com direito a discursos e foguetório oficial, o salário mínimo aumentado em 16%, não havendo, contudo asseveram as autoridades , recursos para estender o benefício aos que se aposentaram após 35 anos de trabalho e hoje recebem da Previdência importância superior a um salário mínimo.
Há, todavia, em plena disputa eleitoral, recursos para o governo, contrariando o TSE, valer-se de medidas provisórias e conceder aumento salarial de quase 200% ao funcionalismo público.
Enquanto isso, após três anos e meio de Presidência, trabalho deveras exaustivo, principalmente pela obrigação de longas viagens em um confortável Airbus de última geração, além de compelir a participação em jantares festivos e o cotidiano em palácios suntuosos, o presidente Luiz Inácio da Silva dobrou seu patrimônio de R$ 422.949,32 para R$ 839.033,52 , mostrando claramente que o talento empresarial de Fábio Luís Lulinha da Silva é decorrência não do oportunismo, como insiste em dizer a Oposição, mas da genética privilegiada.
Mas, por falar em duplicação do patrimônio, como ficará o do Presidente, caso venha a ser condenado a pagar a multa de R$ 900 mil imposta pelo TSE por eventualmente haver feito propaganda eleitoral antes da hora?
Voltando aos aposentados, que muitas vezes não têm sequer como pagar a conta da farmácia, seria maravilhoso se todo brasileiro tivesse um Paulo Okamoto.
enviada por Marcelo Alcoforado
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