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Marcelo Alcoforado

03/07/2006 12:22

O semeador de empregos


Pródigo em auto-elogios, o presidente da República não tem dado a dimensão devida ao seu desempenho na geração de empregos. Será por haver criado, como disse o senador Arthur Virgílio, apenas 3 milhões deles por aqui e outros 7 milhões na China, ou tudo não passa de implacabilidade da oposição? Convenha-se que o Presidente tem criado, sim, vagas também no Brasil, e os empregadores somos nós, já que aqui se fala de empregos federais. A propósito, o catarinense Ricardo Bergamin, professor de economia, fornece indicadores valiosos.
Com base nos números de maio de 2006 comparados com dezembro de 2002, demonstra, houve aumento do efetivo da União da ordem 203.298 servidores, sendo 7.315 no Legislativo, 8.890 no Judiciário, 66.378 recrutas no Executivo militar; 110.109 no Executivo civil e 10.606 nos ex-territórios e Distrito Federal.
Assim, enquanto a caneta das nomeações fluía sobre o branco então imaculado do papel que tudo aceita, o custo total do pessoal da União migrou de R$ 35,8 bilhões em 1994 para R$ 75,0 bilhões em 2002, representando um Incremento nominal de 109,50% em relação àquele ano. A partir dos números conhecidos até maio de 2006, todavia, pode-se projetar um custo total de R$ 124,3 bilhões, ou seja, um Incremento nominal de 65,73% em apenas quatro anos.
Como disseminador de justiça, porém, a julgar pelos fatos o presidente Luiz Inácio da Silva tem falhado, já que um contingente de apenas 2.167.175 de brasileiros — os servidores ativos, inativos, civis e militares da União, que correspondem a 1,18% da população, detêm 6,25% do PIB.
Considerando também os gastos com pessoal dos estados — 6,09% do PIB — e dos municípios — 2,89% do PIB —, o Brasil gasta com pessoal chapa-branca o total de 15,23% do PIB, ou seja: 41,16% da carga tributária.
Saiu o semeador a semear a sua semente. E quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; e foi pisada, e as aves a comeram, diz a parábola do Semeador.
Por aqui, como se vê, as aves estão atentas e já não precisam esperar a queda das sementes.

enviada por Marcelo Alcoforado






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