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Marcelo Alcoforado

03/07/2006 12:21

O estratego


O presidente candidato Luiz Inácio da Silva está decidido. À luz de sua utilitária visão estratégica, vai garantir, com a edição de medidas provisórias, tantas quantas necessárias, os aumentos salariais dos servidores públicos. Em outras palavras, vai arrostar o Tribunal Superior Eleitoral, na pessoa do seu presidente, o ministro Marco Aurélio de Mello, para quem tais aumentos estão vetados pela legislação eleitoral.
Entretanto, Luiz Inácio da Silva, “o jurisconsulto do ABC” — como a ele se referia o jornalista Zózimo Barrozo do Amaral —, afirma não achar justo que os servidores sejam prejudicados só porque nós vamos ter uma eleição, fato de que, registre-se, não se deu conta em três anos e meio de governo.
Mas o embate, tenha-se em conta, serve, e muitíssimo bem, às pretensões lulianas.
É tudo o que o candidato deseja.
Aliás, seja qual for o desfecho da rusga, Luiz Inácio da Silva só terá a ganhar, e os discursos de improviso enaltecendo o seu papel de defensor dos brasileiros já devem estar devidamente escritos e memorizados.
Ora, se o Supremo Tribunal Federal, a que o presidente da República anuncia ameaça recorrer, concluir pela legalidade do aumento, ele só terá ocorrido porque Luiz Inácio da Silva lutou por isso, enfrentando o TSE. Se, por outro lado, o aumento for legalmente proibido, o candidato poderá alegar que as “forças do atraso” terão interferido mais uma vez para prejudicar o povo.
Luiz Inácio da Silva, convenha-se, é um mestre em, ao fim, sair vencedor dos confrontos com a ordem estabelecida. Basta lembrar que, ainda um metalúrgico em busca de densidade política, esteve preso durante pouco mais de trinta dias sob um regime carcerário mais assemelhado a hoteleiro e que, em vez de pagar diárias, recebe, até hoje, uma polpuda aposentadoria..

enviada por Marcelo Alcoforado






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