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08/08/2006 16:50
O presidente e o candidato
Sem saber quando é candidato ou quando é presidente, assim se confessa, o senhor Luiz Inácio da Silva está às voltas com uma dúvida atroz, quase hamletiana: Ser ou não ser. Eis a questão: é mais nobre sofrer na alma as pedradas e flechadas de um destino ultrajante ou pegar em armas contra um mar de problemas e, enfrentando todos, acabar com eles?
Estabeleça-se, desde já, que o príncipe da Dinamarca se questiona pelo que realmente é importante sob a ótica de sua dimensão moral, do seu agir interior. Preocupa-se com a circunstância ética, concluindo-se, pois, que a dúvida luliana quando sou presidente, quando sou candidato? nada tem a ver com a do príncipe shakespeareano.
Ora, enquanto Hamlet perquire se é mais nobre sofrer na alma as pedradas e flechadas de um destino ultrajante ou pegar em armas contra um mar de problemas, o presidente Luiz Inácio da Silva ou será o candidato? , na sua escalada rumo à reeleição, tem alvejado grosseiramente os que se lhe opõem, como fez aos septuagenários na pessoa de Itamar Franco. A propósito, já que aqui se falou de Shakespeare, vale lembrar o diálogo entre o rei, Cláudio, e o príncipe, Hamlet, da Dinamarca, quando este filosofa que se pode pescar com um verme que haja comido de um rei, e comer o peixe que se alimentou desse verme. O rei, pergunta o que ele quer dizer com aquilo, ao que Hamlet responde: Nada; apenas mostrar como um rei pode fazer um passeio pelos intestinos de um mendigo.
Voltando à dúvida presidencial não sei quando sou presidente ou quando sou candidato , há quem sugira as experiências do neurocirurgião Robert White, com transplante de cabeças, ou as do russo Vladimir Demikov, que criou alguns cães com duas cabeças.
Então, agora, que se desenvolve uma nova etapa de transplantes do gênero, é possível resolver a dúvida estabelecendo-se uma cabeça para o candidato e outra para o presidente, caso em que o chefe da Nação ficará bicéfalo.
Embora haja quem o repute acéfalo.
enviada por Marcelo Alcoforado
08/08/2006 16:48
Hematófagos de gravata
Pelo menos em uma coisa o presidente Luiz Inácio da Silva parece ter razão: quando atribuiu ao Congresso a guarida de trezentos picaretas. Para confirmar, é só se dar conta dos escândalos que se sucedem, ultimamente de forma escancarada, como sob a certeza de que nada mais grave acontecerá aos responsáveis.
No mensalão, sabe-se supinamente, a grande maioria dos parlamentares foi absolvida, um acinte à inteligência do eleitor. O caso atual, porém, o das sanguessugas, é exemplo obsceno da sem-vergonhice reinante e sua amplitude é tão inacreditável, que se torna difícil, senão impossível, notar nos senhores parlamentares o sincero desejo de esclarecer alguma coisa.
Tal qual um câncer avançado, o mal extrapola o organismo original, o Ministério da Saúde, ramifica-se e dissemina suas metástases, debilitando, cada vez mais, o combalido organismo da sanidade ética brasileira.
Convenha-se já é tempo, e o atraso é de longos anos, de o brasileiro se dar o respeito, não reelegendo os que sufragados para defender os interesses do povo voltam-se contra ele, alimentando-se do seu sangue na forma de desfalques, negociatas, enriquecimento ilícito e outras práticas abomináveis que permeiam o cotidiano nacional. Ademais, é inaceitável que faltem saúde, segurança e educação, enquanto os donos do poder, que tudo têm, insaciáveis, enriquecem a cada dia.
Ora, só o eleitor, exclusivamente ele ao menos pelos meios legais , pode punir os ladravazes. Em outubro. Com o voto.
Para isso, entretanto, é essencial informar-se sobre os parlamentares em ação, negando a reeleição aos que se revelaram indignos da confiança do voto e disseminando a informação, principalmente junto aos suscetíveis à troca do próprio futuro por uma prótese dentária, um par de tênis ou um prato de comida.
Afinal, é melhor agora, em nome do essencial abrir mão de certas coisas, levando em conta que, como diz a sabedoria popular, Vão-se os anéis, ficam os dedos.
Às vezes, não necessariamente com as palavras nesta ordem.
enviada por Marcelo Alcoforado
08/08/2006 16:47
O empregador padrão
Uma das promessas de campanha de Luiz Inácio da Silva foi gerar empregos. Muitos empregos. Algo como 10 milhões de postos de trabalho.
Justiça se faça, ele tem se esforçado para isto.
É estarrecedor, mas, revela o professor Ricardo Bergamin, com base nos números conhecidos no mês de junho de 2006 em comparação com dezembro de 2002, houve aumento do efetivo da ordem de 212.591 servidores assim distribuídos: no Legislativo, 7.326; no Judiciário, 9.328; no Executivo (Forças Armadas), 70.287 recrutas; e no Executivo Civil, incluindo-se ex-territórios e o Distrito Federal, 125.650.
Que tal, transformar estes números em dinheiro? Vejam-se, então, os preciosos reais que saem dos nossos bolsos para o provimento destes empregos: o custo total de pessoal da União migrou de R$ 35,8 bilhões, em 1994, para R$ 75,0 bilhões, em 2002, um incremento nominal de 109,50% em relação ao ano de 1994. Certo: foi o período de Fernando Henrique Cardoso, o legante da herança maldita, mas com Luiz Inácio da Silva tudo é diferente. Será?
Com base nos números conhecidos até junho deste ano, pode-se projetar um custo total de R$ 112,8 bilhões, aumento nominal de 50,40% em relação ao ano de 2002, ou seja, demonstrando o quanto é realizador, Luiz Inácio da Silva, em apenas 42 meses de governo já investiu (tenha-se a palavra como eufemismo), 50% do que seu antecessor precisou de 96 longos meses para gastar, aliás, investiu.
Aduzindo-se a esses valores também os gastos com pessoal dos estados (5,84% do PIB) e dos municípios (2,67% do PIB), o Brasil gasta com pessoal chapa-branca o total de 14,18% do PIB, ou seja, 38,20% da carga tributária.
Por fim, evidenciando-se todo o brilho de um governo voltado para o bem-estar coletivo, a justiça social não poderia ficar de fora e, a propósito, os números a seguir são eloqüentes: em confronto com os mais de 180 milhões de brasileiros, um contingente de apenas 2.176.468, os servidores da União, que correspondem a 1,18% da população brasileira, detém (5,67% do PIB). Então, para beneficiar os outros 177.823.532 brasileiros, o PIB nacional deverá, mais do que 100%, chegar a 469%. Conta difícil de realizar? Para o governo Luiz Inácio da Silva, não.
enviada por Marcelo Alcoforado
28/07/2006 15:15
Um vôo para o escuro
Nestes tempos em que a Varig viaja sob céu tempestuoso, o mês de julho, mais exatamente o undécimo dia, lembra, como a afirmar que o tempo não apaga todas as coisas, uma tragédia ocorrida há 33 anos.
Naquela quarta-feira, uma viagem que prenunciava delícias reunia tipos variados: brasileiros e estrangeiros, ociosos e operosos, adultos e crianças, além de nomes famosos, como o do cantor Agostinho dos Santos e o do senador Felinto Muller, presidente do Senado.
Todos, muitos com sorrisos escancarados, assumiam seus lugares no Boeing 707 da Varig que, minutos depois, ganharia o céu com destino a Paris.
Para os ocupantes daquele vôo, no entanto, a Cidade-Luz, uma festa permanente de cultura, gastronomia sofisticada e beleza, em vez de trégua nas preocupações do cotidiano representaria trevas, já que, envolta em chamas e fumaça, a aeronave não chegou ao seu destino. Pousou forçada em um repolhal a cinco quilômetros do aeroporto de Orly, onde deveria ter aterrissado após uma viagem sem contratempos.
Dos 134 ocupantes do avião, tripulantes inclusos, morreram 123.
A causa da tragédia predominou esta versão , uma prosaica ponta de cigarro jogada displicentemente na cesta de papéis do toalete ou, como se especulou em seguida, cargas defeituosas para ejeção de assentos dos aviões de caça Mirage, que teriam explodido, dando início ao incêndio.
Naquele dia, além do senador Felinto Muller outra figura de relevo na vida política nacional, o senador José Sarney, tinha passagem marcada para aquele vôo, mas por um capricho do destino, ou pelas trapaças da sorte, como dizem Sueli Costa e Cacaso na música Face a Face, poucas horas antes da partida desistira de viajar.
Permita-se a interrogação: se as cargas para ejeção de assentos não houvessem sido embarcadas e se o senador José Sarney não desistisse da viagem, a oposição consideraria mais fácil ejetar o senhor Luiz Inácio da Silva do assento presidencial que pretende continuar ocupando nos próximos quatro anos?
enviada por Marcelo Alcoforado
21/07/2006 10:52
Um nome
O que há em um nome? Esclareça-se, desde já, que não se trata da clássica pergunta da amantíssima Julieta a Romeu. Aqui não se trata, pois, da obra shakesperiana, conquanto também se trate de uma tragédia. Não da tragédia como arte teatral que consagrou o dramaturgo inglês, mas como significado de catástrofe, desgraça, infortúnio, enfim.
Não se vislumbre, então, como cenário do acontecimento funesto o romântico jardim dos Capuleto, mas a aridez de Brasília.
Para Julieta, plena de razão, ainda que a rosa não se chamasse rosa teria o mesmo perfume.
Insista-se, porém, na pergunta inicial: o que há em um nome?
No nome Maria da Penha, a ex-assessora do Ministério da Saúde acusada de participar da Máfia das Ambulâncias, há muito a considerar. Não o perfume inebriante da rosa, mas o cheiro nauseativo da ganância, da ambição desmedida, da corrupção que se esparrama pelos podres Poderes republicanos e assola a nação brasileira, diminuindo-a aos olhos do mundo dos homens de bem, ao deixar patente o desavergonhamento nacional.
Repita-se a questão inicial: o que há em um nome?
No de Maria da Penha, sobretudo lições. Os russos, por exemplo, ensinam que o poder, assim como os rochedos (penhas, portanto), só é acessível às águias e aos répteis. Aprende-se, pois, que, no Brasil, com tantos envolvidos em mais um escândalo, o das Sanguessugas, pode-se, a partir da própria designação da CPI, afirmar que os rochedos também são acessíveis aos vermes. Penha, ainda bem, é uma rocha elevada e, como ensinou Sêneca, onde há altura há precipícios
enviada por Marcelo Alcoforado
17/07/2006 11:01
A solução final
Combalida para uns, malversada para outros, para fazer frente aos compromissos com seus beneficiários a Previdência se vale sistematicamente do amparo do Tesouro. Não sem motivo, seguidos governos acalentam o sonho pesadelo para milhões de pessoas de desvincular o salário mínimo dos benefícios e pensões.
Ora, hão de pensar os senhores dirigentes, para que atualizar salários de pessoas que têm tão poucas despesas, já que aposentados não gastam dinheiro com roupas nem com transportes, posto que não trabalham? Por outro lado (talvez sejam assim as lucubrações), se não trabalham, não têm grande dispêndio calórico e, portanto, precisam de pouco para a aquisição dos alimentos que repõem tais calorias.
Pragmáticos, porventura avaliando que aposentados, normalmente doentios e sob o peso dos anos, não revelam grande disposição para o comparecimento às urnas, concluem pela desimportância do grupo.
O resultado é que o governo Luiz Inácio da Silva está fornido de motivos para afirmar que, a partir de 1º de janeiro de 2003, quando foi entronizado, as coisas começaram a acontecer efetivamente no Brasil.
O sonho da desvinculação, por exemplo, está em vias de se tornar realidade, a julgar pelo veto presidencial à equiparação do aumento para ativos e inativos, reduzindo o destes a 5% em vez dos 16,6% concedidos aos primeiros. Assim, neste país de aposentadorias tão pífias (apenas para os trabalhadores da iniciativa privada, diga-se), desenha-se um futuro de remuneração cada vez mais vil para os que recebem benefícios superiores ao salário mínimo, antevendo-se que um dia, graças aos percentuais de aumento diferenciados, o Brasil será, enfim, igualitário, por baixo, à luz do INSS: todos receberão o equivalente ao piso salarial.
Institui-se, assim, que a solução para o déficit previdenciário está na eliminação desses privilegiados que ganham mais de um opulento salário mínimo mensal, diminuindo-lhes paulatinamente o poder aquisitivo. Há, contudo, método mais eficaz para resolver o problema.
Quem não lembra que, convocados pelo senhor Ricardo Berzoini, então ministro da Previdência, os nonagenários se ultimavam nas filas para provar ao INSS que estavam vivos?
Repetir a convocação semanalmente, por exemplo, pode ser a solução definitiva. Digamos, a solução final. O problema é que solução final tem um quê hitleriano.
enviada por Marcelo Alcoforado
14/07/2006 17:44
Brasil, meu Brasil brasileiro
Quando compôs Aquarela do Brasil, em 1939, certamente Ary Barroso não anteviu sua música viesse a retratar muito do Brasil de 2006.
Retrata.
Passados 67 anos, o país continua a ser inzoneiro, palavra que à luz dos dicionários significa mexeriqueiro, intrigante, manhoso, sonso, mentiroso. Então, levando-se em conta, principalmente, os dois últimos conceitos sonso e mentiroso , talvez, não seja o caso de cantar em versos, como fez o autor do consagrado samba-exaltação, mas de lamentar em prosa, numa espécie de (permita-se o neologismo) samba-decepção.
Ora, neste país que confisca quase 40% do PIB em impostos e com grande parte deles alimenta a voracidade de mensaleiros, vampiros e sanguessugas, os trabalhadores em atividade têm, com direito a discursos e foguetório oficial, o salário mínimo aumentado em 16%, não havendo, contudo asseveram as autoridades , recursos para estender o benefício aos que se aposentaram após 35 anos de trabalho e hoje recebem da Previdência importância superior a um salário mínimo.
Há, todavia, em plena disputa eleitoral, recursos para o governo, contrariando o TSE, valer-se de medidas provisórias e conceder aumento salarial de quase 200% ao funcionalismo público.
Enquanto isso, após três anos e meio de Presidência, trabalho deveras exaustivo, principalmente pela obrigação de longas viagens em um confortável Airbus de última geração, além de compelir a participação em jantares festivos e o cotidiano em palácios suntuosos, o presidente Luiz Inácio da Silva dobrou seu patrimônio de R$ 422.949,32 para R$ 839.033,52 , mostrando claramente que o talento empresarial de Fábio Luís Lulinha da Silva é decorrência não do oportunismo, como insiste em dizer a Oposição, mas da genética privilegiada.
Mas, por falar em duplicação do patrimônio, como ficará o do Presidente, caso venha a ser condenado a pagar a multa de R$ 900 mil imposta pelo TSE por eventualmente haver feito propaganda eleitoral antes da hora?
Voltando aos aposentados, que muitas vezes não têm sequer como pagar a conta da farmácia, seria maravilhoso se todo brasileiro tivesse um Paulo Okamoto.
enviada por Marcelo Alcoforado
04/07/2006 20:58
O defensor
Assiz Pascácio da Silva é um cidadão simples, desses que acreditam piamente em promessas, inclusive de políticos. Parece até ter algum parentesco com Eremildo, o Idiota crédulo personagem criado pelo jornalista Elio Gaspari.
Eleitor convicto do atual presidente da República, Assiz Pascácio ainda reluta entre admitir que Luiz Inácio sabia dos escândalos a que o país assistiu estarrecido ou que, desidioso, não tinha conhecimento das escusas transações que se sucediam nas salas contíguas à sua.
Assim, não conseguindo livrar-se do estresse causado pelas evidências da corrupção, acometido de arritmias ventriculares, taquicardias, fibrilações e achaques do gênero, .terminou em um hospital do SUS, o sistema de saúde que, segundo o presidente Luiz Inácio, é modelar.
A caminho do hospital, porém, presa do terror que assola todo ser humano ao sentir o desconcerto dos batimentos cardíacos, Assiz Pascácio começava a admitir que o presidente Luiz Inácio não tinha como desconhecer aqueles malfeitos e que, doravante, assumiria uma postura mais crítica em relação a tudo, inclusive à vida política nacional.
Ora, pensava ele, nada valia tanto quanto a sua saúde.
Diversos comprimidos e eletrocardiogramas depois, já em casa, batimentos cardíacos no ritmo preciso de uma orquestra sinfônica, Assiz Pascácio pôs-se a ler a receita médica e voltou a ficar pleno de orgulho do seu ídolo. Prescrevia o médico: um comprimido por dia, exceto aos sábados e domingos. A frase exceto aos sábados e domingos, ressalte-se, estava escrita com destaque, sublinhada, em letras garrafais.
Naquele momento, o peito de Assiz Pascácio se encheu de orgulho. Estava provado, ali, naquele pedaço de papel, que as promessas do então candidato, agora Presidente e de novo candidato, se realizavam de todas as formas. A recomendação médica para que os comprimidos não fossem usados aos sábados e domingos significava que mesmo aquelas simples drágeas haviam conquistado o sagrado direito ao repouso semanal.
Naquele dia, Assiz Pascácio voltou a dormir com a certeza de que o Brasil tem na pessoa de Luiz Inácio um defensor dos fracos e oprimidos.
Aliás, dos frascos e comprimidos.
enviada por Marcelo Alcoforado
03/07/2006 12:22
O semeador de empregos
Pródigo em auto-elogios, o presidente da República não tem dado a dimensão devida ao seu desempenho na geração de empregos. Será por haver criado, como disse o senador Arthur Virgílio, apenas 3 milhões deles por aqui e outros 7 milhões na China, ou tudo não passa de implacabilidade da oposição? Convenha-se que o Presidente tem criado, sim, vagas também no Brasil, e os empregadores somos nós, já que aqui se fala de empregos federais. A propósito, o catarinense Ricardo Bergamin, professor de economia, fornece indicadores valiosos.
Com base nos números de maio de 2006 comparados com dezembro de 2002, demonstra, houve aumento do efetivo da União da ordem 203.298 servidores, sendo 7.315 no Legislativo, 8.890 no Judiciário, 66.378 recrutas no Executivo militar; 110.109 no Executivo civil e 10.606 nos ex-territórios e Distrito Federal.
Assim, enquanto a caneta das nomeações fluía sobre o branco então imaculado do papel que tudo aceita, o custo total do pessoal da União migrou de R$ 35,8 bilhões em 1994 para R$ 75,0 bilhões em 2002, representando um Incremento nominal de 109,50% em relação àquele ano. A partir dos números conhecidos até maio de 2006, todavia, pode-se projetar um custo total de R$ 124,3 bilhões, ou seja, um Incremento nominal de 65,73% em apenas quatro anos.
Como disseminador de justiça, porém, a julgar pelos fatos o presidente Luiz Inácio da Silva tem falhado, já que um contingente de apenas 2.167.175 de brasileiros os servidores ativos, inativos, civis e militares da União, que correspondem a 1,18% da população, detêm 6,25% do PIB.
Considerando também os gastos com pessoal dos estados 6,09% do PIB e dos municípios 2,89% do PIB , o Brasil gasta com pessoal chapa-branca o total de 15,23% do PIB, ou seja: 41,16% da carga tributária.
Saiu o semeador a semear a sua semente. E quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; e foi pisada, e as aves a comeram, diz a parábola do Semeador.
Por aqui, como se vê, as aves estão atentas e já não precisam esperar a queda das sementes.
enviada por Marcelo Alcoforado
03/07/2006 12:21
O estratego
O presidente candidato Luiz Inácio da Silva está decidido. À luz de sua utilitária visão estratégica, vai garantir, com a edição de medidas provisórias, tantas quantas necessárias, os aumentos salariais dos servidores públicos. Em outras palavras, vai arrostar o Tribunal Superior Eleitoral, na pessoa do seu presidente, o ministro Marco Aurélio de Mello, para quem tais aumentos estão vetados pela legislação eleitoral.
Entretanto, Luiz Inácio da Silva, o jurisconsulto do ABC como a ele se referia o jornalista Zózimo Barrozo do Amaral , afirma não achar justo que os servidores sejam prejudicados só porque nós vamos ter uma eleição, fato de que, registre-se, não se deu conta em três anos e meio de governo.
Mas o embate, tenha-se em conta, serve, e muitíssimo bem, às pretensões lulianas.
É tudo o que o candidato deseja.
Aliás, seja qual for o desfecho da rusga, Luiz Inácio da Silva só terá a ganhar, e os discursos de improviso enaltecendo o seu papel de defensor dos brasileiros já devem estar devidamente escritos e memorizados.
Ora, se o Supremo Tribunal Federal, a que o presidente da República anuncia ameaça recorrer, concluir pela legalidade do aumento, ele só terá ocorrido porque Luiz Inácio da Silva lutou por isso, enfrentando o TSE. Se, por outro lado, o aumento for legalmente proibido, o candidato poderá alegar que as forças do atraso terão interferido mais uma vez para prejudicar o povo.
Luiz Inácio da Silva, convenha-se, é um mestre em, ao fim, sair vencedor dos confrontos com a ordem estabelecida. Basta lembrar que, ainda um metalúrgico em busca de densidade política, esteve preso durante pouco mais de trinta dias sob um regime carcerário mais assemelhado a hoteleiro e que, em vez de pagar diárias, recebe, até hoje, uma polpuda aposentadoria..
enviada por Marcelo Alcoforado
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